quinta-feira, 25 de abril de 2013

A Paz no Corpo de Cristo


“A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um”. Cl 4.6

É inegável que, quando escrevi um artigo sobre os últimos acontecimentos – e, em determinado trecho fiz referência ao Pr. Marcos Feliciano –, não consegui atingir o que desejava, e consequentemente promovi um dissabor entre o povo de Cristo.

Acabei descumprindo a orientação da palavra de Deus em Colossenses, quando recomenda que nossas palavras sejam sempre agradáveis e temperadas. Obedecer a palavra de Deus é algo em que tenho muito prazer, e, portanto, deixo claro que não desejei e não desejo o mal a quem quer que seja, dentro ou fora da igreja.

  “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus”. Ef 5.15,16

Vivemos um singular e importante momento na história nacional, em que temas afeitos à família e à Igreja têm sido discutidos intensamente pela sociedade. Esse cenário não é gratuito ou espontâneo, pois sabemos que o Brasil está no centro da discussão mundial, não só pelos aspectos econômicos e sociais, mas também pelas motivações religiosas.

O Brasil hoje tem sido considerado o “pulmão religioso do mundo” em razão de sermos nós a maior massa de evangélicos frequentadores de santuários e católicos em todo globo. Por essa razão, há uma verdadeira romaria de antropólogos, sociólogos e teólogos de toda parte do planeta que vêm pesquisar esse fenômeno sócio-religioso.

  Entretanto, ao mesmo tempo, há um crescimento de correntes fundamentalistas, que tem feito aumentar tanto os debates religiosos, como os múltiplos casos de intolerância religiosa, especialmente contra as minorias.

“Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns. Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele”. I Co 9.22,23

  Desde há muito me sinto chamado por Deus a trabalhar junto à populações marginalizadas. Minha vida cristã e ministerial se pauta, há mais de 20 anos, a partir de um total alinhamento com as ações afirmativas, o que pode ser definido como a constante luta pela diminuição das diferenças sociais, em denúncia contra todo tipo de discriminação e combate radical a qualquer expressão de intolerância religiosa. Sempre acreditei que, fazendo assim, estaria cumprindo o “ide” do Mestre, e me fazendo colaborador do evangelho.

A questão da polarização entre o povo evangélico e os não-evangélicos acabou tomando contornos internacionais, exigindo uma posição da Organização das Nações Unidas – ONU. O organismo enviou comissários ao Brasil para que realizassem pesquisas sobre esse problema nas principais capitais brasileiras, que concluíram ser o Brasil, de fato, um país intolerante, especialmente no que se refere ao convívio pacífico junto às populações que professam religiões de matriz africana.

“... a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus”. I Co 5.20,21

Foi todo esse cenário que gerou a criação no Rio de Janeiro da Comissão Contra a Intolerância Religiosa - CCIR, organização para a qual fui convidado, na condição de único membro evangélico, com o claro objetivo de transparecer a voz do Evangelho de Jesus, que não impõe, mas convida. Evangelho que não aniquila, mas respeita. Evangelho que não negocia suas convicções, mas convive em meio a diferença.

A CCIR é o significativo extrato da sociedade, sendo formada por religiosos dos mais variados seguimentos: mulçumano, judaico, evangélico, católico romano, umbandista, candomblecista, kardecista. Além disso, a CCIR é composta também pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, através de seus órgãos: Ministério Público, Policia Civil; e pelo Poder Judiciário; além de receber o apoio de vários acadêmicos, representantes das universidades.

Ou seja, forma-se um colegiado representativo do extrato da sociedade fluminense como um todo, sendo a minha presença ali a única voz que representa o cristianismo evangélico, o que é muito desafiador e difícil para mim, especialmente em razão de vivermos aqui no Brasil uma situação de constante intolerância religiosa. Tanto é assim, que sofro seguidos ataques nessa tentativa de promoção de respeito entre as religiões, e minha imagem e reputação são frequentemente insultadas.

Acredito que essas iniciativas sejam geradas por simples desconhecimento dos meus reais objetivos, o que espero que cesse a partir desse artigo. Imagino que parte das pessoas que me ataquem tenham ideias erradas sobre mim. Estou aqui também com esse objetivo, o de esclarecê-las sobre minha trajetória.

“Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”. Mt 5.35,36 e 40

Meu chamado para trabalhar junto às minorias se deu em 1992, tendo trabalhado como capelão voluntário com portadores do vírus HIV, no Hospital Universitário Gafree e Guinle. Atendia pessoas que eram marginalizadas, em sua grande maioria pobres, negros e homossexuais. Também por essa ação, eu era fustigado com questionamentos e desestímulos a essa prática. Anos depois, passei a trabalhar com dependentes químicos. Muitos deles, pobres e negros, e por vezes até marginais. Também, nessa época, fui tratado com estranheza e hostilidades por alguns. E finalmente, desde 2008 tenho atuado na Comissão contra a Intolerância Religiosa, também como voluntário, na luta constante contra qualquer tipo de discriminação: racial, de gênero, e, claro, à liberdade de crença de todas as pessoas – não somente das que concordam comigo.

Nesses últimos anos, como membro da CCIR, tenho sido alvo de constantes calúnias e ataques de determinados seguimentos, no próprio meio evangélico, que causam enorme confusão ao público cristão. Há pessoas que afirmam que sou defensor de umbandistas e candomblecistas, satanista e coisas do gênero! Tendo em vista que minha imagem tem sido veiculada por programas de televisão e jornais em companhia de religiosos de outras confissões, e como eventualmente sou entrevistado em torno de temas que debatem a questão da intolerância, coisas absurdas são afirmadas sobre mim.

Cabe aqui frisar que a Comissão contra a Intolerância Religiosa não prega sequer o ecumenicismo, ou mesmo diálogo religioso, mas, sim, cidadania, ou seja, os valores que pertencem às sociedades democráticas, tais como: a liberdade de consciência e de fé; o respeito às diferenças; e a criminalização de toda e qualquer forma de preconceito.

“mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação”. I Pe 2.12

Ontem pude, mais uma vez, provar das misericórdias de Deus, pois fui homenageado com o prêmio Camélia da Liberdade, na categoria “personalidades”, que é um importante reconhecimento concedido pela sociedade civil a pessoas que colaboraram de forma determinante no campo das Ações Afirmativas. Por conta disso, concedi uma entrevista para o Jornal o Globo, que possivelmente, nesta semana, veiculará minha imagem ao lado de uma mãe de santo e de um frei. Estar respeitosamente ao lado das pessoas de outra religião significa o que? Que sou umbandista também? Que defendo o candomblé? Que sou católico? Ou sou um satanista? Quem sabe um bruxo? Sou o braço do PT na defesa das religiões afrodescendentes? Todas essas afirmações sobre mim vi veiculadas nas redes sociais, sem nenhum fundamento, responsabilidade ou compromisso com a verdade. Há apenas a motivação de ferir, caluniar e difamar.

“Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho”. I Co 9.16

Permitam-me dizer quem sou e a quem defendo: sou casado, tenho dois filhos adultos, pastor presbiteriano há 22 anos, tendo pastoreado apenas duas igrejas desde minha ordenação como pastor, sendo este o 18º ano que estou à frente da igreja presbiteriana de Jacarepaguá. Sou capelão do projeto social Ação Querer Bem, mantido por minha igreja que ampara 140 crianças em risco social. Sou presidente do meu querido Presbitério Jacarepaguá há três anos, atual presidente do Sínodo da Guanabara. Na vida acadêmica e profissional sou professor, psicólogo e escritor, mas, acima de tudo isso, sou servo de Jesus Cristo, a quem busco seguir, mesmo em meio a tantas incompreensões e perseguições injustificadas.

Continuarei a pautar minhas ações da mesma forma que tenho feito até hoje, fazendo silêncio diante dos ataques sofridos, ainda que injuriosos, caluniosos e difamadores, e atenderei sempre, com fidalguia e espírito cristão, a todos aqueles que me procurarem para externar suas convicções, dúvidas e críticas aos meus posicionamentos. Pois, para mim, o respeito, além de um gesto de cidadania, é, sem dúvida, uma marca do cristianismo verdadeiro.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Gotículas da Graça - A cegueira da luz

Dizem os chineses que o ponto mais escuro de uma sala é exatamente debaixo da luz. Prostitutas e publicanos precederão a muitos, que, com habilidade maneiam a lei divina. Um centurião romano foi capaz de receber de Jesus reconhecimento de sincero adorador. Uma prostituta lhe dedica algo tão emocionante e profundo, que Jesus lhe eterniza o exemplo. Jesus é conhecido como beberrão e amigo das prostitutas e publicanos. Apedrejá-la é imposição da lei, mas perdoá-la é direito do coração. Qual dos dois lhe parece mais atraente? Tem quem guarda, mas quem partilha e desfruta tem muito mais. Ruelas, valados e caminhos tortuosos, é onde encontramos o Mestre, bem como os sofridos da alma. Confesso minha inclinação para os sãos, eles se parecem com um lado de mim. Os doentes me assustam, eu na verdade os detestos, e me é absolutamente esforçoso amá-los. Eu e você emitimos sons e luzes capazes de fazer as pessoas compreenderem , conhecerem e desejarem Deus. São muitos feixes de luz! Roguemos a Ele não sermos cegados.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Gotículas da Graça - O cristão e a coragem


“ Sê forte e corajoso, porque tu farás este povo herdar a terra que, sob juramento, prometi dar a seus pais. “ Josué


Há tanta gente atrás de episódios sobrenaturais.
Há tanta gente atrás de falar diretamente com Deus, seja através dos búzios, cartas, caboclos, leitura das mãos, ou mesmo nas reuniões de orações investidas de fenômenos sobrenaturais.
Há tanta gente querendo saber como e quando será o dia de sua sorte
Como Diógenes de Sínope que procurava com uma lanterna em punho um único ser humano honesto, virtuoso; eu procuro um cristão corajoso.
Alguém que envergue sua fé como asas e voe em direção ao alvo, ainda que a única segurança seja o invisível Deus que lhe afirma que está invisivelmente a seu lado, ainda que a onda o ameaçe a cobri-lo, as labaredas da vida a consumi-lo e o intempestivo vento o alce para indesejados lugares.
Sim, procuro um cristão corajoso, que não se deixe sequestrar pela dor, medo ou cansaço, mas se alimente da palavra do Eterno que nos promete sua Destra forte e infalível, dando-nos a sua chancela e currículo de feitos para nos convencer que ao final da história seremos conquistadores e haveremos de celebrar e nos embebedar de vinho, mas não aquele vinho que faz perecer e expor nossas vergonhas, mas o Vinho proporcionado pelo Espírito Santo, o Vinho que desce do céu, vindo diretamente da vinícola do Pai no qual encontramos vigor, alegria e paz que não nos são tirados jamais.
Tenho fé que encontre cristãos que aceitem a vida e corajosamente a vivam , pois além de ser essa a expectativa do Pai, também acredito ser isso o melhor para a nossa existência.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

sábado, 12 de janeiro de 2013

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Gotículas da Graça - Logos


" No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" São João

Pulveriza vida e planta esperança

Cavalga soberano entre as trevas do medo e desencontro

Sorriso infantil, abraço de avó e amor adolescente, são rabiscos diante da arquitetura de seus efeitos

Transforma seres embrutecidos em construtores da vida e semeadores de sonhos

Vazio, porta de entrada para o nada; uma vez invadido por ele, transparece o alaranjado céu matinal de verão, que convida a bailar

Basta seu toque suavemente despretensioso para tudo que é morto conheça novamente a pulsação criativa

Início de tudo. Testemunha com interessado apreço o vai e vem dos viventes

Passado, presente e futuro são traços de seu rosto

Logos divino, procedente do Impensável, desenha desde os primeiros e genuinos raios solares até a derradeira noite.  

 

 

  

 

 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Gotículas da Graça - Gangorra Humana


" Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?"  São Paulo

Sou santo de menos para me perceber diferente
Sou malicioso demais para acreditar em pastores e contas milionárias
Sou suburbano demais para trocar conversa fiada por aparência
Sou presbiteriano demais para ser seduzido pelo pragmatismo gospel
Sou preto demais para aceitar a desfaçatez da frase: " no Brasil não há racismo, mas preconceito social"
Sou humano demais para evitar a gangorra de meus comportamentos e emoções
Sou cristão de menos e por isso odeio espelhos que refletem quem sou
Sou incrédulo demais com gente que diz me amar, mas que nem sabe quanto calço.
Sou insensato demais, e por isso continuo a acreditar que são as fraquezas e não as virtudes, que aprofundam as relações humanas
Sou pastor de menos, e por essa razão me vejo cercado por faltosos, contraditórios e desiluminados que encontro nas esquinas da vida